Talvez você deva ter um jardim digital
- 10 de ago.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
Sobre como começar um espacinho online para você cultivar ideias e interesses
Esse tema surgiu na minha vida pela primeira vez escutando o podcast Wild Geese enquanto estava focado em eliminar meu vício em celular.
No vídeo acima, mostro um pouquinho sobre o meu entendimento sobre o que é um jardim digital e meu processo (um pouco conturbado) de construção. Aqui, vou tentar aprofundar um pouco mais e colocar mais referências sobre o tema.
O QUE É UM JARDIM DIGITAL?
"Digital gardening é uma abordagem diferente de pensar nosso comportamento online sobre informação" - Mike Caufield

Já na minha interpretação, diria que ele é "um espaço em movimento para aprofundar interesses, conectar ideias e guardar pequenos tesouros"
Ainda tá muito conceitual, né? Vamos tentar tangibilizar um pouco mais!
Também chamado de "personal wiki" ou "hypertext garden" (sim, tipo um wikipedia e seus milhares de hyperlinks), é um lugar que fica entre as notas do seu celular (ótimo para guardar ideias mas péssimo para desenvolve-las) e um blog (ótimo para ideias desenvolvidas, mas com pouca abertura para algo a mais). Seus principais atributos são:
Crescimento contínuo: Podem (e devem) ser atualizados e revisados a medida que seu jardineiro (vou fazer associações a jardinagem SIM) for aprendendo ou mudando sua visão sobre o tema.
Promovem conexões: "Historically, monocropping has been the quickest route to starvation, pests, and famine. Don’t be a lumper potato farmer while everyone else is sustainably intercropping." Achei lindo a analogia que a Maggie fez sobre diversificar conteúdos e conectar eles (esse texto foi minha bíblia para iniciar meu jardim).
Incentiva a imperfeição e o aprendizado em público: Para perfeccionistas como eu, é um alívio saber que posso voltar mais tarde e mudar alguma coisinha. Ele deve ser uma ferramenta para te incentivar a buscar conhecimento, tomar notas e ir compartilhando ideias ENQUANTO você aprende.
Reinvindica seu espacinho de terra: Nada pior do que plantar uma jabuticabeira em casa alugada (nunca fiz isso, mas dizem que ela só dá frutos depois de 10 a 15 anos). Isso acontece com quem investiu seus esforços no Facebook, depois no Instagram, depois no Tiktok e por aí vai (Austin Kleon fala muito disso no livro Show your work)... Ter o seu próprio espaço online te dá mais segurança e autonomia, para focar no que mais importa: seus interesses
COMO FAZER UM JARDIM "DIGITAL"
"Digital" entre aspas porque muito antes do computador as pessoas já pensavam em formas de cultivar suas ideias, como é o caso dos journals de Leonardo DaVinci ou do Zettelkasten de Niklas Luhmann
Independente do formato escolhido, existem algumas boas práticas para facilitar o seu
processo:
Escolha uma plataforma
Comecei usando o Notion, onde já tenho muito da minha vida pessoal e profissional organizada lá. Mas, não me adaptei e migrei para o Obsidian (e agora estou publicando algumas coisas aqui hehe).
Meu conselho é buscar dois pontos principais:
Reduzir atrito: Deve ser fácil incluir algum pensamento ou referência. Assim como aprofundar ele
Criar conexões: Deve ser fácil ligar uma nota a outra, categorizar e criar tags para navegar e buscar informações
Nomeie os estágios de suas notas
No meu caso, deixo como "sementes", "mudinhas" e "plantas" (estão como tags para facilitar a navegação), onde:
🌰 Sementes: São notas que estão em um estágio inicial que precisa ser alimentada para poder ser útil para conexões mais fortes. É preciso trabalhar nela para desenvolver melhor o conceito
🌱 Mudinhas: São notas que estão sendo trabalhadas e possui um material suficiente para começar a gerar conexões e novas ideias. Porém, ainda podem ser revisitadas e incluir mais conhecimento que já possuo
🌳 Plantas: São notas que estão maturas, inclui todo meu conhecimento sobre o assunto e só crescerão com conexões ou com o passar do tempo. Podem ser utilizadas como material de consulta e podem se tornar publicações sobre o assunto

FAÇA
É a parte mais fácil, mas não subestime ela!
Você prefere ser chamado para visitar um jardim ou um armazém empoeirado? Resista a tentação de transformar seu jardim em um banco de dados do seu cérebro. Inclua somente aquilo que desperta interesse.
Lembre-se policultura é saber diversificar a plantação, mas também não é bagunça! Organize suas notas de modo que fique fácil de encontrá-las e conectá-las. Aqui vão algumas dicas:
Crie tags: Vá criando conforme seu jardim vai crescendo. Revise elas periodicamente para evitar redundâncias
Uma nota para cada ideia: Faça um tweet sobre ela (alguns chamam de atomic note), curto e direto ao ponto, para te lembrar do porquê você a criou e sua importância (chamo essas notas de pequenos tesouros, ideias próprias que enterrei para encontrá-las em um melhor momento). Gosto de colocar a data de quando criei ela, por capricho mesmo.
Abra janelas, não parênteses: Sabe quando você está escrevendo sobre algo e vem uma vontade de aprofundar um detalhezinho que complementa, mas desvia o assunto? As vezes ele pode ser uma nova ideia ou um tema complementar, então vale a pena criar uma nota (uma semente) para ser vista depois.
Diferencie o que é seu e o que é roubado: Um ponto importante para ser levado em consideração é que essas notas podem vir de qualquer lugar e você pode revisitar elas depois de muito tempo. Então, para não plagiar ou roubar de ninguém, deixe explicito o que é seu (veio à cabeça organicamente) e referências externas (quem falou, quem te indicou, onde você viu....) e, se possível, escreva o que te chamou atenção nela.
REFERÊNCIAS DE JARDINS DIGITAIS PÚBLICOS
Essas são algumas das referências que eu encontrei. É muito interessante observar como cada uma é diferente entre si, e essa é a graça, encontrar uma forma de VOCÊ mostrar seus interesses e compartilhar para o mundo
FONTES:
Plantado em: 11.08.26
Última rega em: 15.08.26

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